Como ter a disponibilidade criativa e lúdica de um anônimo construtor de castelos de cartas que se submete apenas às injunções do próprio medo (sagrado medo!) de que eles desabem diante dos seus próprios olhos?

domingo, 21 de março de 2010

Outras das Minhas Tentativas Poéticas

CICLOS

Sim, a vida não é vã,
bem o sei pela manhã
quando intento outro começo,
uma forma restaurada,
se a luz retorna do nada
tornando o nada espesso.

Mas, a vida é... Ou não é...
Já vai me fugindo a fé
quando a tarde se reduz
e as sombras dos estorvos
alastram os seus contornos
pelas veredas sem luz.

A vida... Ela é tão absurda!
Já não interponho dúvidas
à noite, ampla escuridão.
Para o mal que transparece,
para o tanto que fenece,
não haverá explicação.

A vida é inexplicável,
e já se torna impalpável
no meio da madrugada,
Quando, sem nada entender,
me consumo num viver
pendendo à beira do nada.

Sim, a vida não é vã,
bem o sei pela manhã
quando intento outro começo,
uma forma restaurada,
se a luz retorna do nada
tornando o nada espesso.

SATÉLITES

Não tenho pensamentos luminosos.
As minhas, são idéias fosforescentes:
texturas de luz sem incandescência,
meus satélites  da alheia ciência,
expostos a eclipses recorrentes.

TRAJETOS

Esforço-me por desviar
a linha circunferente
da minha vida banal,
para, quiçá,
torná-la uma espiral.

















Imagem: Monotipia s/ Título de Marcantonio

3 comentários:

  1. Bom dia meu amigo
    Que lindo o que você escreveu sobre estes Ciclos,
    bateu fundo!!
    abraço
    Rosália
    (vamos espiralar__________então)!!!

    ResponderExcluir
  2. Sim, a vida não é vã!

    Beijo,
    doce de lira

    ResponderExcluir
  3. Tudo vai depender de como sentimos o mundo: o que para uns é perda, para mim é ganho! Valeu... vou conhecer melhor a sua arte.

    ResponderExcluir